Banco reduziu o percentual de recursos da poupança que podem ser usados para comprar apartamentos usados
A Caixa Econômica Federal aumentou duas vezes neste ano os juros do financiamento de imóveis e, na última segunda-feira, reduziu o percentual de recursos da poupança que podem ser utilizados para comprar apartamentos usados (de uma máximo de 80% para um mínimo de 40%) e já tinha reduzido para novos (de 90% para 80%). As mudanças passam a valer a partir do dia 4 de maio.
Entenda abaixo o que permanece e o que muda no banco que é o
responsável pela maior parte dos financiamentos imobiliários do país.
Muda alguma coisa no financiamento que eu já pago?
Não. Não muda muda. O que assinado foi, assinado está. É ruim quando
os juros caem (e você está pagando mais do que os novos contratos). Mas é
bom nesses momentos em que o custo do crédito está em alta. Não vai
mudar quanto você paga de juros dentro do contrato que já está feito.
O que muda então?
Os imóveis na faixa entre R$ 170 mil até R$ 650 mil em Florianópolis,
no Rio Grande do Sul e na maior parte dos Estados, tiveram o total que
pode ser financiado pela Caixa Econômica alterado. Nos municípios com
população igual ou superior a 50 mil habitantes, o valor inicial é de R$
115 mil até R$ 650 mil. Já para municípios com população igual ou
superior a 250 mil habitantes, a faixa é de R$ 145 mil até R$ 650 mil.
Em apartamentos novos, por exemplo, o percentual caiu de 90% para 80% —
ou seja, quem quiser comprar vai ser obrigado a desembolsar mais para
comprar. Mas a maior mudança foi em imóveis usados, que caíram de 80% e
70%, dependendo da linha de financiamento, para 50% e 40%. Na hora da
compra, agora vai ter que já pagar a metade ou mais do valor total da
casa ou do apartamento. Quem escolher comprar pelo programa Minha Casa
Minha Vida ou com recursos do FGTS, não terá nenhuma alteração.
Quem é afetado?
Duas “categorias” são os mais afetados pela mudança. Primeiro, quem
comprou apartamentos na planta como investimento. Mesmo sem nunca ter
usado o imóvel, assim que receber a chave da construtora ele será
considerado usado. E deve ficar mais complicado vender com essas novas
regras. A expectativa do mercado é que haja uma redução da procura, e
uma queda nos preços para tentar compensar a demanda.
O segundo grupo de pessoas que será prejudicado é aquele formado por
quem já firmou neste mês contratos de compra e venda em imobiliárias,
mas ainda não conseguiu fazer o contrato de financiamento com a Caixa.
Assinaram a promessa de que comprariam um apartamento, por exemplo, em
uma situação e agora ela é outra.
É possível que ocorram cancelamentos de contratos com construtoras,
por parte de quem comprou na planta o imóvel. Também é provável que
algumas pessoas tenham que desistir do sonho da casa própria que já
estava encaminhado, e desistir do contrato de compra porque não ia ter
recursos para arcar com uma entrada maior — pagando uma multa que
normalmente é de 10% do valor da venda.
Alguém ganha com isso?
No médio e longo prazo, as construtoras devem ganhar com a mudança.
As alterações tornam bem mais conveniente comprar uma casa ou
apartamento novos do que uma usada, pela diferença no valor que pode ser
financiado. Em um imóvel de R$ 250 mil, por exemplo, é possível pegar
emprestado R$ 200 mil no caso de um novo e apenas R$ 125 mil, no caso de
um já construído.
O que eu posso fazer para contornar?
Uma opção é negociar o preço. A necessidade de uma entrada maior dá
mais margem para tentativas de baixar o preço final — já que a demanda
pela compra deve cair.
Não tenho dinheiro agora. Existe alguma alternativa?
Outra opção é buscar esses financiamentos em bancos que não a Caixa
Econômica, sejam eles públicos ou privados. Cada um tem suas regras para
financiamento imobiliário e podem permitir um percentual maior, mas
também a juros maiores. Uma possibilidade que deve crescer com esse novo
cenário é a dos consórcios imobiliários. Um grupo de pessoas poupa em
grupo e vai sendo beneficiada pela compra dos imóveis a cada novo
pagamento, em que normalmente o agraciado é escolhido por sorteio. A
vantagem é eliminar os juros do processo, mas a desvantagem é que existe
a possibilidade de você ser o último a receber seu apartamento.
Por que a Caixa Econômica fez isso?
A Caixa Econômica argumenta que o mercado já vem se ajustando, desde
2012, à queda da demanda/velocidade de vendas na faixa de preço entre R$
170 mil e R$ 650 mil. Alega também que o foco do banco este ano será o
financiamento de imóveis novos, com destaque para a habitação popular —
operações do Minha Casa Minha Vida e recursos do FGTS. O mercado, no
entanto, acredita que a medida ocorre por falta de recursos. No primeiro
trimestres deste ano, a retirada das poupanças superou em R$ 23,2
bilhões os depósitos. Apenas em março, foram R$ 11,4 bilhões em saques, o
maior número da série histórica.

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